Com uma técnica de fabrico trazida pelos portugueses no século XVIII, na época gorda da mineração, o queijo-de-minas é considerado desde o mês passado Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, por decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela veio valorizar e distinguir a maneira de fazer um queijo que hoje está à mesa de todos os brasileiros, do café-da-manhã ao jantar, ingrediente de pratos salgados e companheiro inseparável da goiabada, do doce de leite e de muitas outras delícias nascidas no sertão.
O reconhecimento do Iphan abrange o produto originário das regiões do Serro e das serras da Canastra e do Salitre e, além da peculiaridade do processo, aponta-se como outro diferencial o capim consumido pelo gado nesses lugares, que dá ao queijo seu gosto característico. A historiadora mineira Dôia Freire, nascida no Serro, explica que o termo "imaterial" refere-se ao modo artesanal de elaborar o queijo, isto é, um registro e reconhecimento de todos os aspectos históricos e culturais traduzidos pela vivência de gerações de famílias envolvidas nessa atividade. Exemplificando, lembra outros dois registros recentes, também declarados patrimônios culturais brasileiros: o acarajé baiano e as panelas de barro feitas em Goiabeiras, em Vitória, Espírito Santo.
Das regiões serranas de Portugal, principalmente da Serra da Estrela, o queijo ganhou as montanhas de Minas Gerais e lá se arraigou por uma circunstância curiosa: o leite, ao ser conduzido por burros e carros de boi pelos relevos acidentados, chegava talhado ao destino, na planície, por causa do sacolejo. Não restou outra opção aos criadores de gado senão evitar esse desperdício - o leite era então quase todo destinado à fabricação do queijo recém-aprendido de fazer.
Simples de elaborar, o queijo-de-minas demanda sobretudo carinho e tranqüilidade de seu produtor. O maior segredo reside no "pingo", o soro que o queijo libera na primeira noite, que é juntado à próxima mistura de coalho e fermento e assim por diante, constituindo-se em seu DNA por reunir as características do clima, vegetação e relevo da região onde é produzido. Depois, vem o processo de prensa e cura, a maturação, quando o queijo atinge seu gosto peculiar. O queijo meia cura, como se diz em Minas, diferentemente do produto fresco, é o ingrediente correto do pão de queijo, hoje disseminado em todos os Estados brasileiros e sucesso também em alguns países. Para ilustrar este texto de GULA, o chef Mauro Maia, do restaurante Supra, de São Paulo, apresenta duas receitas inéditas com o produto típico e ainda sua versão do pão de queijo.
Ângela Gutierrez, ex-secretária de Cultura de Minas, uma ativista pelo reconhecimento dos vários aspectos históricos mineiros, defendeu a aprovação do registro na reunião do Iphan, realizada no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte (criado por ela), e se diz muito feliz pela decisão, ressaltando que "a resistência do modo artesanal de fazer o queijo-deminas, perante as grandes indústrias, é uma vitória proporcionada pelo amor das pessoas, que gostam de ter em casa um pedacinho de queijo guardado para receber os amigos".
A ViniPortugal, entidade responsável por promover os vinhos portugueses no mundo, realizou na Casa de Cultura Julieta de Serpa, no Rio de Janeiro, dia 9 de setembro, uma grande Degustação de Vinhos de Portugal com a presença de mais de 50 produtores com o tema: Vinhos de Portugal – Descubra a Diversidade. Foram mais de 200 vinhos apresentando, muitos dos quais nunca estiveram no Brasil antes e 12 com seus produtores presentes.
Promover e melhorar a imagem de qualidade e o grau de conhecimento sobre os vinhos portugueses no estrangeiro é o grande objetivo estratégico da ViniPortugal. Ao promover estes eventos desejam divulgar os vinhos lusitanos, potencializar novos negócios, atingir novos grupos de consumidores e ao mesmo tempo homenagear os que já mantêm relação com os vinhos de Portugal, segundo explica a portuguesa Ana Sofia de Oliveira, da ViniPortugal.
Os vinhos portugueses deram um salto qualitativo nos últimos anos devido a uma melhora significativa nos processos de vinificação e os brasileiros reconhecem este fato comprovado pelo aumentando da importação destes vinhos para o país. Portugal é hoje o terceiro país que mais exporta vinhos de mesa para o Brasil, sendo o principal fornecedor europeu, que tem vindo a consolidar.
Voltado principalmente para profissionais dos setores de restaurantes, supermercados e lojas especializadas, o evento terá também a presença de empresários, consumidores, críticos e consultores de vinhos.
Resultados Econômicos
As ações promocionais feitas há anos no Brasil colhem bons frutos. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, daIndústria e do Comércio Brasileiro, durante o primeiro semestre de 2006, o valor das exportações de vinhos de mesa portugueses para o Brasil cresceu 42,03%, em comparação com igual período de 2005. Em volume o crescimento das importações provenientes de Portugal foi de 36,29%. Este incremento veio ajudar a consolidar o 3º lugar, ocupado por Portugal no ranking dos vinhos importados - de referir que em 2002, Portugal ocupava nesta lista o 4º lugar.
Durante o primeiro semestre de 2007, as exportações de vinhos portugueses para o Brasil apresentam uma subida significativa no período homólogo em 2006: +34,4% em valor e +21% em volume. Os totais das exportações são um indicador de que o consumo de vinho no Brasil está aumentando, o que tem contribuído também para que os vinhos portugueses cresçam com a dilatação do próprio mercado, firmando assim em 2006 uma quota das exportações de vinho para o Brasil de 16% em valor.
Outra razão que justifica o aumento da importação dos vinhos portugueses foi a melhora nos últimos 10 anos no cenário macroeconômico brasileiro, que possibilitou um aumento do consumo de vinho importado, além da “aposta”, por parte dos produtores portugueses no mercado brasileiro comprovada através de diversas ações promocionais como esta degustação.
Portugal faz questão que estes eventos de degustação sejam sempre realizados no Rio de Janeiro devido às afinidades históricas e culturais entre a cidade e Portugal e pelo fato da culinária e vinhos deste país serem bastante apreciados pelos cariocas. Além disso, a diversidade de vinhos que Portugal produz combina muito bem com os diversos estilos de culinária presente na cidade, seja a regional brasileira ou a sofisticada gastronomia internacional. Este ano, evento semelhante aconteceu também em São Paulo dia 10 de setembro.
Importadoras participantes:
Adega Alentejana; Aurora Fine Brands;Barrinhas; Cantu; Casa Nunes Martins; Comercial Beirão da Serra; Santar; Decanter; Diageo; D'Olivino; FTP Vinhos Galeria dos Vinhos Comercio de Vinhos Finos;
Global Guilders; Grand Cru; Hortifruti; Interfood; Magna Import; Maison Lafite; Malbec do Brasil; Mercovino; Mistral; Nor-Import; Ntrade; Porto a Porto; Portus Cale; Qualimpor; Thot Brasil; Vinea Store; Vino; Wine Premium - Master Wine; Winecompany
ViniPortugal - é uma associação inter-profissional, privada, que agrupa outras associações, federações de associações e organizações de profissionais ligadas à produção e ao comércio de vinho e que tem por objetivo apoiar e executar atividades de promoção do vinho e outros produtos vínicos e vitivinícolas, tanto em Portugal como no estrangeiro.
O PIZZATO Reserva Cabernet Sauvignon 2004 acaba de ganhar Medalha de Ouro no 5º Concours Mondial de Bruxelles Brasil, realizado agora em agosto no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, RS. Essa conquista é mais um reconhecimento à excelência dos vinhos produzidos pela PIZZATO Vinhas & Vinhos, que coleciona vários destaques em concursos oficiais e em painéis realizados pela imprensa especializada. Os vinhos foram avaliados às cegas por 15 jurados internacionais e jornalistas especializados, nesse concurso que é baseado nas regras do Concours Mondial de Bruxelles, um dos maiores e mais respeitados concursos do mundo.
O vinho é elaborado com uvas 100% produzidas na propriedade PIZZATO do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, Indicação de Procedência, em quantidade limitada e garrafas numeradas. De cor rubi a violáceo, com boa intensidade, aroma de frutas escuras maduras, geléia de cereja, cassis, mentol, toques herbáceos e tostados. Na boca apresenta boa estrutura tânica e o retrogosto é frutado, levemente achocolatado e longo. Acompanha carnes de caça, cordeiro, carnes vermelhas, massas e risotos mais fortes, queijos maduros, peru e lasanha com carne.
A Importadora La Vigne, em parceria com os restaurantes Buzin (Icaraí, Itaipu e Búzios), Ativa e Rincão, estará sorteando no final de agosto, uma Adega Tocave de 16 garrafas aos clientes que consumirem uma garrafa de Piedra Negra Lurton, Ampakama Petit Verdot ou Versus Rosé demi-sec.
Vale um cupom por garrafa.
As urnas estão em cada restaurante e a adega está em exposição no Rincão em Itaipu.
Endereços:
Búzios Rua Manoel Turíbio de Farias, 273 - Búzios (22) 2633-7051 / 2623-6518. buzinbuzios@buzin.com.br Diariamente das 12:00h até o último cliente. Almoço e Jantar R$ 49,90 (o quilo) Pizzas a la carte a partir das 18:00h.
Icaraí Rua Gal. Pereira da Silva, 169 (21) 2711-5208 / 2611-4134 buzinicarai@buzin.com.br Diariamente das 11:00h até o último cliente. Almoço de 2ª a 6ª-feira R$ 34,90 (o quilo) No Jantar e aos sábados domingos e feriados R$ 36,90 (o quilo) Preço fixo para grupos acima de 10 pessoas - R$ 35,00(individual)buffet livre + sashimi Cardápio a la carte e Delivery a partir das 18:00h.
Itaipu Estrada de Itaipu, 8.891 (21) 2609-8604 / 2609-4201 buzinitaipu@buzin.com.br Diariamente das 11:00h até o último cliente. Almoço de 2ª a 5ª-feira R$ 24,90 (o quilo) No Jantar e nas sextas, sábados, domingos e feriados R$ 30,90 (o quilo) Cardápio a la carte e Delivery a partir da 18:00h.
O restaurante Cais da Ribeira do Pestana Rio Atlântica, em Copacabana, preparou um menu diferenciado para o almoço Dia dos Pais, que custará R$75 por pessoa, das 12h às 15h. Na linha das saladas e frios, as opções são salada de endivia e roquefort, salada de bacalhau com grão de bico, terrine de avestruz com nozes, salada tropical de camarão em ½ abacaxi, torta de bacalhau, quiche de aspargos e bacon, salada verde e parmegiano, salada de pepinos marinado com sake, salmão defumado com azeite de aniz, pernil assado com creme de amêndoas, salada de palmitos com kani e torta de atum com tomates secos.
Para o prato principal: palheta de burrego com frutos secos, parmantier de bacalhau, coxa de pato assada com molho de alho poro, arroz de mariscos, batatas assadas recheados com camarão e legumes frescos cozidos com grão de bico.
As sobremesas serão compostas por pastel de nata, toucinho de céu, pudim marfim, mouse de chocolate, espelho de limão, torta ópera, crocantes de chocolate, tartatin de maçã, torta de amêndoas, mil folhas de chocolate, nagib de frutas, trufas de chocolate e frutas frescas.
Salvador: Primeira capital brasileira chama atenção por comida, dança e música
Salvador foi a primeira capital do Brasil Colônia, desde 1549 até 1763, quando perdeu o posto para o Rio de Janeiro. Até hoje as duas metrópoles competem para atrair turistas nacionais e estrangeiros. No Recife a trilha sonora pode ser de melhor qualidade e muitas praias paulistas e catarinenses batem as da capital baiana em beleza paisagística e infra-estrutura, mas só em Salvador as conexões com a África são explícitas, o que a torna especial entre as grandes cidades brasileiras.
A cultura afro-brasileira se deixa literalmente tocar pelos turistas que escolhem Salvador. As cores e os sons do continente que forneceu seus homens mais robustos e capazes como escravos (os frágeis não resistiam sequer à viagem de navio) se renovam diariamente no sincretismo da religião, em terreiros ou igrejas; no berimbau que chama a capoeira a qualquer hora do dia; nas formas redondas das baianas servindo quitutes com óleo de dendê e leite de coco.
Os casarões do Pelourinho, cartão-postal e patrimônio da humanidade, foram restaurados nos anos 90 do século 20 e desde então a área é sinônimo de boas-vindas, confraternização, conforto em hotéis e pousadas. Quem se instala ali está longe da praia e a poucos passos dos ensaios do Olodum, da explosão barroca do Convento de São Francisco e da Missa Negra (catolicismo com atabaques) na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
A fama do "pelourinho" original é avessa à alegria e muito anterior aos açoites para punir escravos no Brasil. Ainda no século 16, em Portugal, a coluna de pedra representava o poder do rei contra criminosos e era um local público de leitura das sentenças. Saber que, em respeito à história, o Pelourinho manteve o nome que remete ao sofrimento comprova mais uma vez o talento nacional de transformar limão em caipirinha.
Praias e trios elétricos Salvador se desenvolveu como pólo urbano de grandes distâncias entre uma atração turística e outra. A cantada praia de Itapuã, por exemplo, fica a 27 km do centro - e o transporte público lá não esbanja o padrão dos ônibus porto-alegrenses ou alemães. A praia de Ondina tem a vantagem de receber os trios elétricos no Carnaval e Rio Vermelho é concorrida pela vida noturna e pelas famosas baianas do acarajé. Nenhuma dessas duas praias próximas ao centro, porém, impressiona pela qualidade da água. Se os planos de férias incluem banho de mar da manhã à tarde, a hospedagem nas proximidades da orla é estratégica para não perder tempo nos deslocamentos.
Em fotografias do alto, olhando de longe, as multidões que se aglomeram nos blocos de rua de Salvador, Recife ou Olinda se assemelham, diferenciando-se dos foliões de sambódromo do Rio ou de São Paulo. A capital baiana, porém, organiza aquele caos de forma metódica: os trios elétricos seguem trajetos rígidos em três circuitos distintos. E os seguidores dos trios que pagaram antecipado para vestir o abadá são protegidos por seguranças e posto médico, do lado e ao mesmo tempo apartados da multidão. Fora do cordão de isolamento, é preciso contar com a sorte para evitar assaltos e outras agressões. O circuito Batatinha começa e termina no Pelourinho, com marchas e fantasias à moda antiga, de um tempo anterior à estética para a TV. O circuito Avenida, também chamado Campo Grande, começa à beira da Baía de Todos os Santos, em Campo Grande, e segue até a Praça Castro Alves e adjacências, não muito longe do Pelourinho. E o circuito Barra-Ondina tem o refresco permanente do mar, chacoalhando os ossos pela avenida Oceânica, do bonito Farol da Barra até Ondina. Os abadás são vendidos por dia ou com desconto para todos os dias (neste caso, atrás de um bloco só), o que permite ao folião variar de paisagem, das ladeiras do centro às avenidas da orla, e também do tipo de música.
Cidade Alta, Cidade Baixa O Elevador Lacerda e o Plano Inclinado do Pilar ligam a Cidade Alta à Cidade Baixa. Muito antes da existência de ambos, a divisão arquitetônica que reflete uma sociedade de duras hierarquias foi transposta das cidades de Portugal para a colônia no Novo Mundo. Na parte superior se instalavam o poder do rei, da justiça e da igreja. Na parte baixa espalhavam-se atividades como as do comércio e transportes, com a obrigação de defender a fina flor da sociedade em caso de ataque.
No livro "As Cidades do Brasil - Salvador", o músico Tom Zé defende uma tese encantadora sobre o verdadeiro tipo de proteção que as gentes do andar de baixo ofereceram aos poderosos do andar de cima. Segundo ele, foram os bordéis da Cidade Baixa, "um laço mágico de puteiros", que funcionaram como engenho bélico ante o risco de destruição. A cada tentativa de subida nas ladeiras, os invasores eram exauridos pelas artes femininas do amor pago.
Tom Zé criou o tropicalismo no final dos anos 60, junto com Gilberto Gil e Caetano Veloso. Os três, mais as cantoras Gal Costa e Maria Bethânia, formam um quinteto mágico da cultura baiana e nacional, vozes que há décadas o brasileiro identifica na primeira palavra da canção. Dúzias de baianos que se dedicam às artes da expressão popular conquistaram o carinho profundo da população e também o respeito internacional, o que convida o visitante a refazer seus roteiros sentimentais por Salvador e arredores. Percorrer o Rio Vermelho de Jorge Amado, a Itaparica de João Ubaldo Ribeiro ou a Cidade Baixa dos traços sem pudor de Carybé é uma forma de pedir a companhia de suas criações.
Entre os "1.000 Lugares para Conhecer antes de Morrer" do best-seller de Patricia Schultz, 46 itens estão no Brasil (mais o roteiro gastronômico em São Paulo) e, destes, 12 atrações ficam no Rio de Janeiro e seis na da Bahia. Sobre a capital soteropolitana, o guia recomenda não cometer a indelicadeza de se despedir da visita antes de visitar o Pelô, brincar nas festas e comer o acarajé. Um show de capoeira poderia muito bem ter sido incluído aí. Aquelas esculturas negras ambulantes fazem com os pés e as pernas volteios que boa parte da humanidade não consegue fazer com os dedos da mão. A importância destas manifestações está bem explicada e ilustrada nos museus e fundações culturais, abertos o ano inteiro.
Bacharel em Direito, mas sempre apaixonada pela gastronomia.
Gastronomia pela UNIRIO - UFRJ.
Food Design pela PUC - Rio, atuo como Personal Chef, promovendo eventos e jantares.
Atuo na área de vinhos e dou cursos na área de gastronomia